Os bônus continuam a ser uma parcela importante da remuneração dos executivos — mas, agora, ganha mais quem prova que pode dar resultados no longo prazo. Uma vez ao ano, em geral no primeiro trimestre, um clima de felicidade invade os escritórios brasileiros. Parece que todo o esforço, as noites maldormidas, o estresse do dia a dia e a pressão (que às vezes beira o insuportável) para cumprir metas encontram finalmente um significado concreto. Nesse período, os milhares de executivos brasileiros com direito a remuneração variável veem cair na conta corrente, de uma só vez, o bônus dos últimos 12 meses de trabalho.

Tradicionalmente, a remuneração variável no Brasil é sinônimo de bônus anuais. Cerca de 85% das grandes empresas adotam esse modelo. Pouco a pouco, porém, uma nova tendência vem ganhando força. Em vez de entregar todo o dinheiro imediatamente, uma parcela cada vez maior das companhias tem condicionado parte da recompensa à fidelidade e à constância de resultados de seus funcionários. Nesse modelo, o executivo não leva todo o prêmio de uma vez. Em boa parte dos casos, é preciso permanecer pelo menos três anos na mesma empresa para receber a bolada.

Um levantamento da consultoria Hay Group, produzido com exclusividade para EXAME, quantificou essa transformação. Atualmente, cerca de 12% da remuneração total dos presidentes das maiores empresas presentes no Brasil já é de longo prazo — quase o dobro do que era há cinco anos. E essa política, antes bissexta, já é empregada por quase metade das empresas brasileiras (há cinco anos, eram apenas 30%). Por trás dessa mudança na remuneração das empresas paira uma questão estratégica: atrair e, principalmente, manter os principais talentos na companhia. Só nos últimos três anos, o saldo de cargos vagos nos níveis de presidência, diretoria e gerência cresceu 80% entre as grandes companhias instaladas no país.

Com isso, iniciou-se um intenso processo de migração de executivos. O salto dos incentivos de longo prazo nos cinco últimos anos foi viabilizado, em larga medida, pela onda de aberturas de capital. Ao todo, foram 107 IPOs de 2004 até hoje. Com presença na bolsa, as empresas passaram a usar suas ações no pacote de remuneração do alto escalão, exigindo dos executivos prazos mais elásticos para a compensação do prêmio. Se para as companhias as vantagens dos planos de longo prazo são óbvias, para os executivos também pode ser um bom negócio. Vai depender basicamente da paciência de cada um.
* Para ler a reportagem completa clique aqui

Fonte: Exame Negócios

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