4 princípios para administrar a sua própria energia

4 princípios para administrar a sua própria energia

É a administração da nossa energia, e não apenas do nosso tempo, que tem um papel preponderante na nossa qualidade de vida e na eficácia do nosso trabalho.

A quantidade de tempo que nós temos em um dia é sempre fixa, já a qualidade da nossa energia (ou do nosso engajamento) no aproveitamento deste tempo é altamente variável.
Você já reparou que, às vezes, achamos que não produzimos nada de importante no dia, apesar de ter estabelecido com clareza as tarefas a realizar?

Mas que também há dias em que, aparentemente sem motivos, entramos numa “espiral de produtividade” e acabamos fazendo muito mais do que a média?

Para constatar isto, basta você relembrar os dias que antecederam o seu último período de férias. Geralmente somos mais eficientes ao receber um prazo definitivo combinado com uma boa recompensa posterior.

Pois saiba que muito provavelmente essas “espirais de produtividade” não aparecem por acaso. Os dias improdutivos também não. É o que postulam Jim Loehr e Tony Schwartz, os autores do livro “The Power of Full Engagement” (ou “O Poder do Engajamento Total”, ainda sem tradução para o português).

Os autores atuaram por 25 anos como treinadores de atletas de alto desempenho nas mais variadas modalidades: golf, hockey, basquete, tênis etc. Com o tempo, eles perceberam que as habilidades e disciplinas dos esportistas também se aplicavam com propriedade aos ambientes corporativos e empresariais competitivos.

O diagnóstico e o método contido no livro partem de 4 princípios iniciais:

Princípio 1 – O engajamento total requer a utilização de 4 diferentes fontes de energia: física, emocional, mental e espiritual (ou moral, para aqueles que não possuem uma fé específica).

Princípio 2 – Graças ao fato de que a nossa energia diminui tanto com o excesso de uso quanto com a subutilização, é necessário administrar o gasto de energia sabiamente a partir do uso estratégico do descanso e da recuperação.

Princípio 3 – A fim de construir uma maior capacidade (isto é, a fim de elevar o seu nível atual de engajamento e potência), é necessário sempre ir um pouco além do atual limite de desgaste ou empenho – da mesma forma que atletas de elite fazem para alcançar novos níveis de excelência.

Princípio 4 – Rituais para manter um nível positivo de energia (isto é, rotinas altamente estruturadas a serem executadas com regularidade) são a chave para o engajamento pleno e para o alto desempenho.

No geral, o que surpreendia os autores, ao deixar o coaching aos atletas e entrar na arena corporativa, era que a maior parte das empresas e dos profissionais ainda administra a sua energia de maneira ineficiente.

Como se fossem maratonistas de corridas de longa distância, profissionais trabalham por longos períodos (10, 12, 16 horas a fio) e não se dão o tempo correspondente para descanso. Desse modo, acabam da mesma maneira que maratonistas que não descansam: pálidos, exaustos, com baixa satisfação, baixa autoestima e criatividade.

Pense nas profissões competitivas. Você certamente se lembrará de um colega que se gaba de se dedicar a infindáveis horas de trabalho (mesmo que não produza nada).

Vamos supor que esse profissional seja um investment banker, que utiliza fortemente as faculdades mentais (há quem discorde). Se ele trabalhar 14 horas por dia, certamente não terá tempo hábil para exercitar a energia física (praticando algum esporte), emocional (por exemplo, dedicando-se à vida familiar ou afetiva) e espiritual ou moral (dedicando-se a causas extraprofissionais que tragam senso de propósito e comunhão).

Como abordei num artigo anterior, o estresse por si só não é um inimigo do bom desempenho ou da nossa qualidade de vida. Pelo contrário: qualquer forma de estresse (mental, físico, afetivo ou espiritual) tem o potencial de se transformar em força e renovação. Basta darmos os subsídios adequados para que isto aconteça (tempo para descanso, recuperação e alternância no nosso engajamento).

Daí a importância de estabelecer rituais ou comportamentos estruturados, a fim de manter as rotinas mais eficientes. Os rituais, quando organizados, são capazes de respeitar a alternância desejável entre o descanso e os diferentes “tipos de energia”.

Por fim, é preciso dizer que há muito mais detalhes na excelente obra de Loehr e Schwartz. Há sistemas de treinamento comprovados em suas práticas com atletas e executivos, sugestão de rituais diários, mensais e anuais para a manutenção do nível de engajamento mental, físico, emocional e espiritual. Se ficou curioso, não deixe de fazer esta leitura e renovar-se no processo.

Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios

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