Como estar sempre ocupado afeta o cérebro e a saúde

Como estar sempre ocupado afeta o cérebro e a saúde

Com a vida moderna, que exige pessoas mais conectadas, com perfil multitarefa e dispostas a dar conta de toda a complexidade do mundo ao redor, fica difícil escolher “por onde começar”. Agora, uma pesquisa afirma que ser uma pessoa multitarefa pode trazer grandes benefícios à mente ao longo dos anos – já que o cérebro cria novas conexões e caminhos, ganhando mais “poder”, apesar da idade.

As constatações foram publicadas em um artigo na Fast Company, citando um estudo que analisa o quanto a junção de atividades sobrecarrega o cérebro e afeta a saúde. As pesquisadoras Sara Festini e Denise Park, da Universidade do Texas, realizaram um estudo de cognição com 300 adultos, com idades entre 50 e 89 anos. Em primeiro lugar, elas queriam saber como o funcionamento do cérebro muda com a idade e, se ao final, é melhor ter uma vida “ocupada” ou adotar um estilo de vida mais “tranquilo”.

Para ter uma base de comparação, as pesquisadoras realizaram os testes iniciais e repetiram novamente quatro anos depois. Os resultados apontaram que as pessoas mais ocupadas são as que apresentaram melhor desempenho em testes de cognição, com uma velocidade de processamento maior para realizar atividades, fazendo melhor uso da memória e trabalhando na aquisição de conhecimento. O desempenho dos participantes da pesquisa que tinham uma vida mais ocupada diante daqueles com uma rotina mais leve se distanciou à medida que envelheciam. Segundo a Fast Company, a pesquisa demonstrou que melhorias em nossa percepção cognitiva podem ajudar a evitar desordens neurológicas, como demência e Alzheimer.

A pesquisa baseou-se em questionários entregues aos participantes. Eles precisavam responder com que frequência realizavam as tarefas de seus dia, quando espeficicamente iam dormir mais tarde do que o normal (dentro do padrão de cada um) ou se “pulavam” refeições por conta da correria no trabalho.

“Tivemos a ideia de fazer essa pesquisa após outro estudo em nosso laboratório, que comprovou que adultos mais velhos engajados em novos desafios por um período específico de tempo colhiam altos benefícios para sua memória”, disse Festini. Os resultados levaram a pesquisadora a manter um estilo de vida ativo, realizando atividades extracurriculares. À Fast Company, a neurocientista Tara Swart afirmou que para manter o cérebro ágil, é preciso exercitá-lo principalmente nas “partes que se usa com menos frequência”. Realizar tarefas às quais não se está habituado, aprender uma nova língua ou tocar um instrumento, segundo Swart, “forçam” nosso cérebro a operar de maneira diferente. Isso pode levar, sim, a uma sensação de exaustão. A pesquisadora afirma, entretanto, que o resultado é bom para o cérebro.

E o corpo?

Enquanto um estilo de vida “ocupado” mostrou resultados favoráveis à saúde do cérebro, a pesquisa não foi capaz de mensurar a mesma relação para o corpo humano. “É possível que a ocupação contribua para elevar níveis de estresse”, admitiu Festini.

Uma vida agitada é frequentemente ligada ao surgimento do estresse. Ao se sentir estressado, o corpo humano pode liberar cortisol, que afeta temporariamente o sistema digestivo e imunológico. Isso poderia impedir alguém de alcançar seu potencial máximo, mantendo o corpo em constante modo de “luta ou fuga”. Os resultados, portanto, da relação entre manter uma vida ocupada e os benefícios diretos para o corpo humano não estão claros. Segundo as pesquisadoras, é preciso antes de tudo definir até que ponto uma ocupação é interessante e quando se torna estressante. É bom lembrar ainda o seguinte: em tese, tudo pode causar ansiedade e gerar adrenalina quando se trata de vida moderna. O que não é, necessariamente, algo ruim.

Fonte: Época Negócios

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