O profissional na Pós-modernidade

O profissional na Pós-modernidade

Vida profissional, vida pessoal. Quem nunca ouviu esses termos? Ora, essas duas vertentes da composição humana têm sido exaustivamente discutidas sobre a colocação e capacidade de distinção para uma plena saúde mental. Ou pelo menos foi até o final do século XX. Na era da informação é cada vez mais nítida a mistura dessas duas esferas que, assim como outras, compõem a vida de um indivíduo.

Era corriqueira a pressuposição de que deixar os assuntos do trabalho no trabalho, a fim de que os temas pessoais não interferissem no labor e vice-versa, trazia benefícios às pessoas. Entretanto, a dinâmica da pós-modernidade tem mostrado o contrário. Os processos seletivos têm buscado competências além das capacidades técnicas. A globalização e sua evolução não só trouxe uma nova dinâmica de comunicação digital em tempo real, mas também conectou de modo mais sólido as várias configurações mentais que nos compõem.

Para compreender melhor esse quadro é preciso refazer a jornada evolutiva da humanidade. As primeiras atividades laborais dos primeiros grupamentos da nossa raça compreendiam a necessidade de sobrevivência. Assim, atividades como caçar, pastorear e cultivar a terra excediam uma mera jornada definida dentro de um expediente. Esse exercício fazia parte da rotina diária e se fundia a própria formação dos indivíduos. Com o passar do tempo e mesmo após novas descobertas e novas organizações sociais, as atividades se expandiram, indo desde a especialização na cozinha, artes, guerra à construção de ferramentas, por exemplo. Assim, começou a nascer a noção do profissional tal como entendemos nos tempos atuais. O próprio termo tem na sua origem a base da questão. Do latim PROFITERI, a expressão designa o reconhecimento público, a declaração e identificação sobre algo a que se deseja professar, isto é, uma ideologia, um culto. Inicialmente relacionado aos que ingressavam em uma ordem religiosa, o profissional era alguém que seguia uma doutrina pela qual o adepto era orientado. Sendo assim, a configuração mental do indivíduo era remodelada após seu ingresso na ordem. Seus costumes, códigos de conduta e postura passavam a ser orientados por sua atividade profissional, como exemplo, as ordens de cavalarias, tão comuns na alta e baixa idade média. A partir do juramento prestado o cavaleiro passava a agir conforme os preceitos de sua ordem. Alimentação, vestes, comportamento social e mesmo horas de sono eram seguidos conforme a ideologia profissional.

Herdamos dessa era os juramentos feitos quando das graduações ou quando assumimos algum cargo público. Neles está contida uma fórmula que ultrapassa as barreiras do horário do expediente. Porém, é importante ressaltar que isso não significa que nosso mindset deve ser orientado completamente para as atividades laborais. A questão é compreender que o desenvolvimento profissional deve estar acompanhado ao desenvolvimento intelectual, religioso, familiar. Pois todos envolvem uma única vida. Até porque, após a voracidade mecanicista da era industrial, em uma era de transformações velozes as organizações iniciaram a substituição da mão de obra pelo cérebro de obra. Habilidades mentais e de relacionamento passaram a integrar o conjunto de competências necessárias à sobrevivência das organizações atuais. Por isso a “vida” fora do escritório, da fábrica, das lojas passam a ter significativa relevância para o desempenho profissional.

Essa percepção de nova dinâmica social-profissional, seja de modo instintivo ou planejado, tem levado pessoas a abandonarem um padrão organizacional de trabalho, largando muitas vezes uma carreira estável, para se aventurarem naquilo que desejam, que sonham. Aos poucos, muitos têm percebido que trabalho é muito mais que um emprego. Enquanto esse é meio de sustento, aquele é uma atividade diária e permeia todas as esferas da vida. Assim, tem-se buscado realizar trabalhos que rendam meios de sustento.

Essa dinâmica da pós-modernidade tem provado que manter-se num emprego apenas para garantir um meio de sustento financeiro, ainda que esse seja incompatível com as competências pessoais e configuração mental, pode levar a prejuízos em relação a saúde mental. A frustração em uma carreira profissional tem influência direta no abandono de sonhos pessoais e projetos familiares. São os sonhos individuais que estão em jogo. Porém, por motivos diversos, muitos têm optado por uma oportunidade empregatícia que garanta um meio de renda ou estabilidade, ainda que esse possa causar algum tipo de comprometimento à saúde mental em longo prazo, ou interferir no tipo de ofício com o qual se tem verdadeira afinidade. Salários e benefícios acabam pesando na hora da busca por uma oportunidade, principalmente em tempos de crise financeira.
Mas ao contrário do que se pode pensar, as anormalidades econômicas enfrentadas de tempos em tempos, ao invés de apenas malefício, podem, por outro lado, ser o “empurrão” para que muitos possam enfim buscar um trabalho (aquilo que se identificam) e que possam garantir meios de sustento. Tal como alguém que larga um posto num escritório para criar um canal de culinário do YouTube. Ou um design de ambientes que após perder o emprego, abre sua própria loja de produtos manufaturados e sob encomenda. E assim, as pequenas atividades que antes serviam para complemento de renda vão ficando mais especializadas e tomando o lugar dos antigos empregos.

Ao mesmo tempo surge uma outra questão: as pessoas também passam a avaliar as empresas às quais estão vinculadas. Se o emprego oferecido condiz com o perfil individual de cada um. Portanto, lembre-se, ao candidatar-se a uma vaga para processo seletivo, você não apenas será avaliado, mas também tem a chance de ponderar se a organização está de acordo com seus valores pessoais. Escolha, então um cargo e uma empresa que está de acordo com seus projetos pessoais. Com o tipo de atividade que você deseja professar além do espaço organizacional. Essa pode ser a diferença entre uma carreira de sucesso ou uma frustração futura.

Fonte: rhportal

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