“Decidiu por deixar”: está certo o uso da preposição “por”?

“Decidiu por deixar”: está certo o uso da preposição “por”?

O professor de língua portuguesa Diogo Arrais explica quais as várias regências possíveis e corretas do verbo decidir

Há pouco, li um trecho de um documento oficial que me deixou curioso. Está correto o uso da preposição “por” abaixo?

“…DECIDIU POR DEIXAR O HOLERITE A SETE CHAVES.”

Decidir provém de “decidere”. Essa forma latina remete a “cortar”, “separar cortando”, “despedaçar a golpes”.

No dicionário regencial de Luft e no Houaiss, encontram-se diversas regências. Vejamos as principais:

Com o sentido de determinar, deliberar, resolver, o verbo pode ser transitivo direto ou transitivo indireto (com o uso de “de” ou “sobre”):

“Decidir uma questão, um fato.”

“Só os pais devem decidir sobre as questões entre filhos.”

“O presidente decidirá do aumento dos funcionários.”

Com o sentido de dar decisão, emitir juízo ou opinião, sentenciar, o verbo também pode ser transitivo direto ou transitivo indireto (com o uso de “de”, “em”, “entre”):

“Decidir um pleito.”

“Cada povo decidirá da forma por que há-de se defender.” (Rui: Freire)

“É um ignorante, e quer decidir no que não entende.”

“É preciso decidir entre os dois candidatos.”

Exigindo as preposições “a” ou “por” , encontra-se o verbo decidir pronominal (decidir-se), com o sentido de dar preferência, optar:

“O sindicato decidiu-se pela continuação da greve.”

“Decidi-me a largar a cidade grande.”

Portanto o correto é :”…decidiu-se por deixar o holerite a sete chaves.”

VOCÊ SABIA?

Holerite vem do nome do estatístico norte-americano Hermann Hollerith, que inventou as máquinas computadorizadas com cartões perfurados.

Holerite equivale a contracheque: documento relativo a rendimentos e descontos dos assalariados.

Fonte: exame

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