Para desenvolver resiliência, faça duas perguntas simples a si mesmo

Para desenvolver resiliência, faça duas perguntas simples a si mesmo

Numa época em que os negócios evoluem mais depressa, não é de se admirar que a resiliência tenha se tornado uma nova habilidade indispensável. Embora sempre soubessem das vantagens pessoais de ser resiliente, executivos nem sempre reconhecem que isso também é necessário para o bem e a saúde organizacional de sua equipe.

Veja o exemplo de Susan, a CEO de uma pequena empresa de telecomunicações. Ela estava matriculada no meu curso de MBA quando recebeu más notícias. Um contrato importante, para o qual a empresa de Susan se preparou por meses, foi perdido para um concorrente. Ela tinha trabalhado duro nisso. Sua equipe havia encontrado meios e soluções inovadoras de diminuir custos e agregar valor para o cliente. Teria sido um projeto rentável e, mais do que isso, seu resultado bem-sucedido teria comprovado um novo conceito de produto.

Susan tinha uma expressão desfalecida e estava visivelmente desanimada. Ela recuperou o equilíbrio em alguns dias, mas o dano já estava feito. Um de seus engenheiros, um funcionário essencial e o único que compreendia como funcionava um indispensável componente de software, deixou a empresa. Outros funcionários, abalados com o fracasso do projeto, estavam prontos para sair da empresa. Ela levou horas para tranquilizá-los sobre a viabilidade da organização. Susan logo descobriu que a forma como o chefe se sente afeta toda a equipe. Recuperar-se de forma rápida não foi o suficiente para ela; ela teve que se manter aparentemente forte e inabalável na frente de sua equipe.

O fracasso às vezes é enaltecido como o caminho para a inovação bem-sucedida, mas gera dano mental ao gestor. A ansiedade pode levar a preocupações exageradas, ao medo irracional e a pensamentos obsessivos. Então, como você mantém a calma quando “a casa está caindo”?

Claro, uma maneira é fingir. Você age com confiança e finge coragem. Isso pode funcionar, mas é difícil fingir e manter uma máscara. Os espertos da equipe vão perceber a verdade — e a confiança será perdida. Há um caminho melhor. Você pode realmente ser inabalável fazendo o contrário do que faz. Para ser bem-sucedido nisso, é preciso olhar o mundo de uma forma diferente. É simples e, na verdade, um pouco divertido.

O método se baseia em um antigo conto Sufi em que um homem e seu filho são confrontados alternada e repetidamente pela má e boa sorte. Os vizinhos se reúnem para ora serem solidários com o que tem má sorte, ora darem os parabéns ao que tem boa sorte. O homem se mantém sempre equilibrado e faz a mesma pergunta: “isso é algo bom ou ruim, quem sabe?”

Pense em sua vida. Alguma coisa aconteceu a você que no momento pareceu ser ruim? Lembrando disso, hoje você pode ver claramente que não era tão ruim e talvez até fosse algo bom?

A maioria de nós consegue se lembrar de muitas ocasiões assim. Um de meus alunos da London Business School se associou a um fundo de hedge e ficou chateado ao ser demitido no início da crise financeira. Mas recebeu uma boa indenização. Quando a situação piorou, seus colegas foram demitidos com uma indenização básica.

Então, é possível que o que hoje você esteja prestes a rotular como sendo algo ruim, possa, em algum momento futuro, tornar-se algo bom? Em caso afirmativo, por que ter pressa para rotular isso como ruim? Perguntar a si mesmo “existe alguma possibilidade de que isso possa se tornar bom?” já abre um campo de possibilidade. E se você der mais um passo e perguntar “o que posso fazer para que isso aconteça?”, você enxergará um leque de possibilidades nunca antes imaginado.

Aqui está um processo de três passos para ajudá-lo a pôr em prática esse novo modo de pensar. Recomendo que comece a usá-lo imediatamente, com os menores infortúnios de sua vida, para que esteja pronto a usá-lo quando algo mais sério acontecer.

1. Seja claro sobre o que você está prestes a classificar como algo ruim e o porquê. Por exemplo, se não atingiu sua meta de faturamento, o que há de errado nisso? Você vai perder seu bônus? Pode ter que demitir pessoal? Não terá recursos adicionais com os quais estava contando?

2. Pergunte a si mesmo: “Existe alguma possibilidade de isso realmente vir a ser bom um dia”? Basta refletir sobre essa questão e isso o levará a uma esfera emocional diferente, rica de possibilidades ao invés de impossibilidades.

3. Faça a si mesmo a seguinte pergunta: “O que eu — e minha equipe — podemos fazer para que isso aconteça? Como podemos fazer com que isso se torne algo bom de ser lembrado no futuro”?

Parece simples, e é simples. Ao tentar fazê-lo, vai descobrir como isso é eficaz.

E Susan? Sua equipe ficou radiante ao saber que o concorrente que ganhou o projeto cometeu vários erros. O cliente a procurou desesperado — e nem questionou sobre as taxas adicionais que ela cobrou.

Fonte: harvard business review

Nenhum Comentário »

No comments yet.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URL

Leave a comment