Um outro enfoque das tendências em 2018 para a Saúde Digital

Um outro enfoque das tendências em 2018 para a Saúde Digital

Todo período de final e começo de ano vemos uma quantidade enorme de artigos e matérias falando sobre as previsões dos mercados para o ano que se inicia. Em qualquer setor da economia, os “gurus” e especialistas reverberam suas análises das tendências que irão ter “destaque” e portanto, deveríamos prestar atenção. O setor da saúde não é diferente, e muita coisa tem sido dita e profetizada como “the next big thing” (ou a grande nova descoberta/coisa) que impactará o mercado da saúde.

Mas, enquanto muitas das análises feitas e publicadas nas dezenas (ou centenas) de artigos e matérias nos mais diversos meios de comunicação destacam tecnologias, produtos, aplicativos, plataformas e tantas outras invenções, talvez você (assim como eu) fique se perguntando: “o que realmente será relevante”?

Bem, depois de ter escrito em 2017 sobre várias das novas tecnologias e soluções que estão chegando com força no mercado da Saúde Digital, tais como Big Data, Inteligência Artificial, Telemedicina, Fisioterapia 4.0, Blockchain, sensores vestíveis e implantáveis para coleta contínua de dados do paciente, dentre tantos outros, gostaria de partilhar um outro enfoque das tendências em 2018 para a Saúde Digital.

1) A inovação de impacto na saúde em 2018 não estará nas coisas (tecnologia), mas sim nas pessoas (especialmente os Pacientes)!

Num artigo escrito em 2013 na MIT Technology Review, o autor David M. Cutler comentou, ao comparar o setor da saúde com o varejo (sugerindo que a tecnologia da informação criará grandes provedores de serviços médicos ao estilo Wallmart), que “As maiores mudanças são provavelmente as que virão de se redesenhar o papel do paciente – a pessoa mais subutilizada em cuidados de saúde… A tecnologia da informação vai mudar o jogo porque afetará a forma como as pessoas veem a si mesmas, as suas doenças, e as pessoas que cuidam delas.”!

Sim, mais do que melhorar novos produtos e protocolos, a saúde na era digital precisa melhorar seu foco no principal negócio – os Pacientes! Eles são a razão de ser da verdadeira Saúde, e não do negócio chamado “tratar as doenças”. A doença gera custos, o paciente gera Valor!

Com uma sociedade rapidamente envelhecendo, como iremos usar as novas tecnologias para auxiliar no cuidado destes pacientes que vivem mais?

2) Se o foco é no Paciente, engaje-o no seu negócio!

As vezes ouço de colegas na área da saúde, de forma brincalhona (mas que tem um fundo de realidade), que o sonho de qualquer gestor na saúde seria “cuidar de hospitais aonde não se precisasse lidar com os pacientes ou os médicos, só com as doenças que geram o faturamento”. De fato, se o que gera faturamento é a doença, a inversão desta visão distorcida é se enxergar o que gera Valor ao negócio – o paciente!

Mas para isso temos que inovar na prática real de engajar o “cliente”. Precisamos reformar e renovar os modelos de comunicação, educação e relacionamento com este personagem até então “periférico” e que se torna cada vez mais ator principal! E não pode ser apenas um bom discurso de marketing, tem que estar no core business dos diversos stakeholders que operam a engrenagem da assistência na saúde.

Para isso funcionar e ser um sucesso junto aos pacientes, as novas tecnologias, produtos e soluções digitais, além das plataformas integradas de informação, serão os veículos que facilitarão essa revolução.

Mas será que os pacientes desejam este tipo de integração no processo, no acesso aos dados e compreensão de seu estado de saúde?

Para responder a essa pergunta ampla e complexa, vários estudos e pesquisas tem sido feitos nos últimos anos e que demonstram esta mudança em curso. Veja um exemplo nesta pesquisa de 2016 da empresa de consultoria Accenture. Quando avaliado que grau de acesso aos dados no prontuário eletrônico do paciente se deveria permitir, os médicos disseram que 74% deveria ter acesso limitado e 7% nenhum acesso, sendo que apenas 18% concordavam que os pacientes deveriam poder ver seus dados. Mas note o lado oposto, do paciente: na quase totalidade (99%) eles querem saber os que seus registros mostram, quer de modo completo ou mesmo limitado.

3) Se o segredo é engajar o paciente, então vamos ajudá-lo nessa missão.

Uma das tecnologias que despontam e que poderá transformar o engajamento dos pacientes será a Inteligência Artificial. Não porque se argumenta que ela poderá processar mais dados e ficar mais inteligente que os humanos. O poder dessa nova tecnologia será criar vínculos de comunicação em uma sociedade cada vez mais carente de relacionamentos significativos.

A Amazon, gigante da tecnologia, lançou recentemente a Alexa, uma assistente virtual inteligente que responde a comandos de voz e conversa com os usuários, processando ações junto a equipamentos (como ligar e desligar seu rádio ou televisão) e até mesmo buscando informações e respostas tal como a previsão do tempo amanhã.

 

Mas veja um exemplo claro dessa combinação entre Inteligência Artificial e aplicação na Saúde – cuidar dos idosos em casa que vivem sozinhos. Leia esta matéria do canal americano CNBC sobre “Como a melhor habilidade de Alexa poderia ser como assistente de saúde em casa”. Aí está uma verdadeira tendência com aplicação prática baseada em uma necessidade de mercado.

 

Fonte: forumsaudedigital

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