A saúde é, definitivamente, um tema estratégico dentro da agenda empresarial. Se não em função da atração e retenção de talentos, já que 95% dos entrevistados pelo Ibope Inteligência para o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) considera importante ou muito importante a oferta do benefício para decidir entre um emprego ou outro, pelo seu impacto financeiro nos negócios.

Os dados mais recentes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que hoje o sistema de saúde suplementar atende perto de 47 milhões de vidas no Brasil, o que corresponde a aproximadamente 25% da população.  Mais de 70% dessa conta pertence às empresas, visto que a modalidade mais contratada é a coletiva empresarial.

Nem sempre paramos para analisar que os gestores de companhias de médio e grande porte que suportam esses milhões de pessoas levam consigo uma responsabilidade bastante similar à de secretários municipais de saúde.

Estima-se que 12% dos recursos empresariais são destinados a isso, um total que fica atrás apenas da folha de pagamento. E trata-se de uma despesa que nunca regride, só aumenta, em função da variação dos custos médicos e hospitalares (VCMH), que sobe anualmente na casa dos dois dígitos, em proporções maiores do que a inflação.

Em outras palavras, se eles não fizerem uma gestão eficiente do investimento, dificilmente conseguirão manter seus programas sustentáveis e, como consequência, deixarão sua população carente e dependente de um sistema público bastante distante daquilo que seria o ideal.

Se não agirmos, existe uma grande chance de continuarmos a operar em um modelo de saúde que remunera a ineficiência. E, da mesma forma que se exige rentabilidade de todo e qualquer recurso, não é mais possível encarar como normal ou natural a gestão baseada em checar o extrato de uso e arcar com os aumentos anuais das operadoras (ou apostar no downgrade para reduzi-lo).

Já se olharmos para o futuro com o objetivo de transformar todo esse panorama, existe apenas uma situação que é capaz de frear esse ciclo: se antecipar aos episódios de doenças (principalmente as crônicas e de alto custo) para promover qualidade de vida e bem-estar por meio da orientação quanto à melhor utilização do plano de saúde e evitar situações extremas.

O caminho está, como em tantos outros segmentos, na implementação da tecnologia para melhorar a visibilidade e a disponibilidade de informações e a transparência em todo o ciclo de vida do benefício, desde a sua contratação até o gerenciamento. Isso significa um novo modelo de corretagem, por exemplo, que contemple uma maneira inovadora de intermediação, propiciando uma experiência inédita para o RH e para o beneficiário.

A gestão dos custos, então, passa por conhecimento, pela personalização e pela medicina de precisão. Mas, o sucesso do assunto obrigatoriamente precisa contemplar a experiência do paciente, que é o coração da mudança que a inteligência orienta.

Ao implementar a ciência de dados é possível trabalhar com previsibilidade, que permite olhar os cenários nas diferentes operadoras para responder qual a melhor opção para cada caso (considerando se o valor está adequado, se vai cobrir a necessidade e qual o reajuste após 12 meses, que é quando a conta pesada chega).

Em paralelo, é necessário também acompanhar a trajetória do uso do plano de saúde de cada indivíduo para, o quanto antes, encontrar padrões que destoem do movimento natural e colocar a equipe médica para atuar e orientar os beneficiários para que eles tenham a melhor experiência possível dentro do plano de saúde disponibilizado.

Isso inclui, por exemplo, orientá-lo quanto ao melhor prestador de serviço cadastrado para atender à sua particularidade na intenção de que ele tenha total suporte e qualidade no tratamento, diminuindo chances de reinternação, que representa um ponto de desperdício para o investimento, ou ainda pensar em modelos de incentivo de prevenção mais inteligentes, como adotar diferentes políticas de coparticipação em casos crônicos ou grupos de risco. Na prática, é algo como zerar o custo adicional dos exames e das consultas pertinentes aos diabéticos para que eles sejam estimulados a realizar o controle rígido com o objetivo de que o quadro não evolua para situações mais graves.

Isso significa trazer o colaborador para o centro da tomada de decisão pela sua saúde e ganhar um aliado na gestão dos custos. E é justamente a integração desses fatores e a colaboração entre os elos da cadeia que formarão um cenário propício a que tenhamos, no futuro,  um mercado de saúde corporativa para chamar de nosso.

Fonte: epocanegocios.globo.com

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