Business Agility é o assunto atual no mundo da agilidade. Estamos entrando na terceira década do uso de métodos ágeis nas empresas, ainda que apenas recentemente o tema tenha ganho atenção especial do mercado. Diante deste fato, discutir o que é agilidade e como aplicá-la em situações reais do dia a dia de quem trabalha com tecnologia, tornou-se fator essencial para companhias que desejam alcançar bons resultados.

Mas até que ponto os times de T.I. estão preparados para um cenário de mudanças de mercado constantes e exigências cada vez maiores de eficácia? Estratégica, governança e execução precisam estar mais do que alinhadas para que as organizações possam tirar proveito desta nova realidade. Afinal, quais são as capacidades que eu preciso adquirir como empresa para atingir novos potenciais?

Tratar a estratégia de uma organização de forma ágil é um caminho moderno para o crescimento. Enquanto acreditarmos que agilidade somente foca na forma como organizamos nossos times e como priorizamos as demandas dos produtos, dificilmente vamos nos aproximar da realidade de grandes empresas inovadoras. Este foi um dos pontos de vista que pude debater no Lead For Tomorrow. Na ocasião, falávamos sobre o Futuro da Agilidade e como ele tem se apresentado para o mundo dos negócios.

A última década de discussão abordou quais métodos utilizar e como atuar com múltiplos times alinhados a um processo de priorização e desenvolvimento de produtos. Ainda que empresas enxerguem com maior facilidade o uso de metodologias pré-determinadas e prescritivas de Agilidade em Escala, existe atualmente pouca evidência a respeito da implantação dessas metodologias e algum ganho real no longo prazo para as organizações.

Entretanto, aquelas empresas que buscam o aprendizado constante e a experimentação além das fórmulas prontas, apresentam resultados exponenciais. É necessário buscar os princípios e fundamentos, encaixando seu próprio contexto para resolver os problemas do mundo atual.

Discussões sobre métodos ágeis são onipresentes em qualquer empresa moderna, mais ainda esbarram em temas que fogem à realidade de times: orçamentação, governança, portfólio e estratégia são fatores que estão presos por visões lineares e tradicionais de trabalho. Não há como responder rapidamente à mudança de mercado sem que a organização desenvolva modelos modernos de integrar estratégia e execução.

Ao pesquisar as empresas mais inovadoras do momento atual, podemos identificar direcionamentos semelhantes, apesar de execuções completamente diferentes. Todas possuem um processo muito claro de experimentação e aprendizado em seus produtos, uma obsessão com a medição dos resultados e uma base tecnológica sólida para permitir a experimentação extrema.

Este ciclo rápido é incorporado em toda a estrutura dessas organizações: o processo de orçamentação é transformado para suportar a possibilidade que inúmeras iniciativas sejam conduzidas ao mesmo tempo, com cada iniciativa recebendo mais recursos apenas se conseguir validar demandas reais de mercado. Substituímos o apego exagerado aos produtos e ciclos longos de desenvolvimento, por um mais direto e rápido de Hipótese, Desenvolvimento e Avaliação direta com clientes e usuários reais.

O mantra é “experiência do usuário fala mais alto” – caso não existe tração ou interesse do mercado, a iniciativa é eliminada nos primeiros momentos de vida. Desistir rapidamente daquilo que não gerou adesão de clientes é primordial, eliminando o desperdício de investimento futuros.

A principal capacidade das organizações atuais é o aprendizado. Experimentação e melhoria contínua ditarão as organizações mais adaptadas. A liderança deve estar preparada para liderar através de novas premissas: descentralizando decisões para a ponta, definindo a intenção e objetivos da organização, trazendo equipes para participação do planejamento. Definir um caminho, avaliar e possivelmente desistir de iniciativas logo no início será determinante para empresas nas próximas décadas. Não há mais como passar anos desenvolvendo um produto para só então apresentar para o mercado.

O Business Agility desafia tudo que aprendemos tradicionalmente sobre estratégia e gestão. Equipes de alto desempenho compartilham uma característica principal: a segurança psicológica para errar e aprender. Uma pesquisa feita com os melhores times do Google por cerca de dois anos encontrou ainda mais características além da segurança psicológica: a percepção das equipes na sua autonomia de trabalho, alta qualidade de execução, estruturas e objetivos claros para todos e o entendimento de impacto positivo do trabalho com os valores e princípios dos times. A liderança pelo medo, os ambientes ultracompetitivos e insalubres existirão apenas em empresas ultrapassadas.

Assumir o protagonismo dos times, como forma de dar respostas mais rápidas e ampliar a experimentação de práticas e técnicas, melhorarão nossa qualidade de entrega, potencializando, também, os resultados dos clientes. Responder às mudanças atuais de mercado faz com que não seja mais possível esperar seis meses para entregar software ou lançar novas versões. Deste modo, precisamos estar preparados para estimular modelos de liderança disruptivos, sobretudo para enfrentar os desafios de hoje e amanhã.

Fonte: administradores.com.br

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