No plano para a flexibilização da quarentena e retomada das atividades no Estado de São Paulo, mais uma preocupação: se os pais forem convocados para voltar ao escritório, como ficam as crianças?

Enquanto o comércio volta a abrir suas portas e aos poucos as empresas dão passos para garantir um retorno seguro à suas sedes, a volta às aulas está prevista para setembro – e com rodízio de alunos.

Para os pais que já passaram pelo estresse de adequar suas demandas do trabalho à rotina de aulas online e cuidados com os filhos, essa retomada gradual apresenta um novo desafio.

“Já lidamos com tanta incerteza no momento, mas não podemos ter incerteza com o cuidado dos filhos. Você, como pai e mãe, está disposto a mão de muitas coisas para si, mas para o seu filho não”, comenta Flavia Deutsch Gotfryd, cofundadora da startup Theia, que oferece serviços de apoio aos pais.

No entanto, no contexto do alto desemprego, a empreendedora alerta que muitos vão cometer um grande erro quando a empresa propor o retorno ao escritório: dizer que estão preparados para voltar.

Comunicar sua verdadeira necessidade dentro de casa e negociar com o empregador um caminho para atender às demandas do trabalho e dos cuidados dos filhos será essencial. E pode facilitar o trabalho de todos.

“Às vezes, a pessoa tem a sensação de que vão saber a sua dificuldade. Se você não se manifesta, isso não necessariamente é realidade. Agora é preciso verbalizar, falar sobre a questão e como gostaria de ser endereçada”, diz.

Para se preparar para a negociação, além da transparência ao apresentar o problema para o RH ou seu gestor, Flavia Deutsch recomenda colocar na mesa uma proposta de solução.

“Temos sempre a impressão de que falamos e ficou claro, mas as pessoas podem entender outra coisa. Colocar uma solução ajuda a combinar o que atende às suas necessidades e às prioridades da empresa”, aconselha ela.

Uma solução possível para manter um equilíbrio entre as duas pontas é a flexibilização de horário. “Boa parte dos trabalhos não precisa de uma escala. Para pais e mães, isso significa poder passar mais tempo com os filhos, sem perder nas entregas”, diz Paula Crespi, a outra fundadora da startup, na reportagem “Trabalho de qualquer lugar” da revista.

Com o home office na pandemia, as empresas testaram uma das formas de trabalho flexível. Agora, acomodar o expediente às necessidades de mães e pais pode ajudar numa retomada menos estressante para eles.

Os pais podem ter o dever de comunicar aos seus superiores a questão, mas as lideranças e o RH possuem um papel fundamental para evitar o problema.

Com os avós no grupo de risco, creches fechadas e a crise apertando o orçamento para contratar o auxílio de terceiros, os pais podem se sentir encurralados. E a demanda por um retorno pode ser mais um peso, especialmente para as mulheres. Segundo pesquisa, enquanto 50% dos homens considera fácil conciliar filhos e carreira durante a quarentena, apenas 33% das mulheres afirmar o mesmo.

Segundo Deutsch, as lideranças podem oferecer suporte aos funcionários com crianças, tomando a iniciativa de buscar alternativas de cuidadores para indicar aos pais e mantendo subsídios focados no público.

“O RH precisa ser muito atuante nesse momento, avaliando situações particulares, dando prioridade para quem precisa ficar em casa”, fala Flávia.

Fonte: exame.com

 

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